Revoluão mexicana 1910-1920

 A Revolução Mexicana: reforma agrária e luta pelo direito de retornar a um passado usurpado.  

Emanuelle Santos, Juliana Ferreira e Valmira Juvenal 

A revolução iniciada em 1910 foi o palco de uma série de reivindicações que buscavam, acima de tudo, garantir direitos usurpados da população. Tal afirmação torna-se clara na fala de um de seus principais e mais destacados líderes: Emiliano Zapata.

Zapata reivindicava o direito de posse dos indígenas e camponeses das terras que lhes foram expropriadas. O que estava em pauta era a necessidade de regenerar a condição humana através do retorno ao seu passado. Nas palavras de Octavio Paz: “A Revolução Mexicana é um movimento de reconquistar o nosso passado, assimilá-lo e torná-lo vivo no presente.”

Desde a independência, em 1821, a questão da terra estava presente nos conflitos sociais no México. Na segunda metade do século XIX a maior parte dos indígenas já haviam sido expropriados de suas terras, além disso, estes não foram incorporados como cidadãos. Em 1876 com a derrubada do governo liberal de Sebastião Tejada, pelo levante militar de Porfírio Díaz, a grande propriedade agrária foi reforçada e os camponeses despojados de suas terras. A pequena propriedade foi praticamente eliminada.

A partir de 1900, contudo, críticas ao governo de Díaz tornam-se cada vez mais latentes, bem como, reivindicações acerca das terras comunais expropriadas – os ejidos.

Díaz convoca eleições presidenciais em 1910 e prende o latifundiário liberal Francisco Madero, líder do movimento que se opunha à sua reeleição. Como candidato único Díaz é considerado eleito.

Madero foge da prisão e vai para os EUA. Do exílio, lança uma conclamação à rebelião com armas para derrubar Díaz, prometendo, em um novo governo, uma reforma eleitoral e terras para os camponeses. Lá redige o Programa de São Luis de Potosí que anunciava a possibilidade de uma reforma agrária.

 Recebe apoio popular e de líderes revolucionários do Sul, Emiliano Zapata, e do Norte, Pancho Villa e Pascual Orozco.

 O crescimento da movimentação camponesa leva Díaz a renunciar e fugir, em maio de 1911.

Madero é eleito presidente e, no poder, mantém o aparelho de Estado, em particular o Exército, o que provoca revolta entre seus apoiadores. Além disso, resolve dissolver o exercito revolucionário.

Zapata recusa-se a desarmar seus homens e exige a reforma agrária, prometida no Programa de São Luis de Potosí e negada pelo novo presidente. Nas palavras do próprio Zapata     “A fatal ruptura do Programa de São Luis de Potosí motivou e justificou nossa rebeldia contra aquele que invalidou todos os compromissos e defraudou todas as esperanças (...) combatemos  Francisco Madero, combateremos  outros cuja administração não tenha por base os princípios pelos quais temos lutado.”

A reação do líder camponês é, portanto, a de proclamar-se em rebelião contra Madero. Em novembro de 1911 anuncia o Programa de Ayala no qual propunha a derrubada do governo de Madero e um processo de reforma agrária sob o controle das comunidades camponesas. O plano defendia, ainda, a reorganização do ejido e a expropriação de um terço dos latifundiários mediante indenização e nacionalização dos bens dos inimigos da revolução. Para Zapata, neste plano estão contidas

“(...) as mais justas aspirações do povo, plantadas as mais imperiosas necessidades sociais, e propostas as mais importantes reformas econômicas e políticas, sem cuja implantação o país passaria inevitavelmente ao abismo, deprimiria-se no caos da ignorância, da miséria e da escravidão.”

Zapata convocara o povo às armas e o avanço popular era contínuo, pois apesar das mudanças no governo, as estruturas sócio-econômicas permaneciam sem alterações.Villa e              Zapata lideraram um movimento com vistas a obter autonomia política local como forma de garantir o direito à terra. Em fevereiro de 1913, enquanto a luta prossegue no Norte e no Sul, o general Victoriano Huerta assassina Madero. A morte do presidente leva a uma passageira frente da oposição, com participação de Zapata e Villa e chefiada pelo liberal Venustiano Carranza.

O governo de Huerta acabou por tornar-se, para a maior parte dos revolucionários, uma restauração do porfirismo. O Governador nortista Carranza, não reconheceu o novo governo e deu início à mobilização contra Huerta. O mesmo fez Villa no Norte e Zapata no Sul. Forma-se, então, um exército constitucional, sob a égide do chamado Pacto de Torreón.

Simultaneamente, o México sofre a ocupação do porto de Vera Cruz por forças dos EUA. Sem condições de resistir, Huerta renuncia em junho de 1914.

Carranza assume a presidência e o confronto anteriormente vivenciado por Zapata e Madero, com relação à reforma agrária, volta à vida, uma vez que Carranza hesita em aceitar as propostas camponesas.

Em fevereiro de 1917 é promulgada a Constituição reformada, com algumas transformações propostas pelo Programa de Ayala, como a nacionalização do solo e do subsolo e devolução das terras comunais aos indígenas – os ejidos. A Igreja Católica é separada do Estado e tem seus poderes diminuídos. Os trabalhadores passam a ter direitos reconhecidos, como jornada de trabalho de oito horas, proibição do trabalho infantil e indenização por tempo de serviço aos empregados dispensados. As medidas previstas na Constituição, no entanto, são amplamente ignoradas pelo governo.

Em 1919 Zapata é assassinado a mando de Carranza e o país continua em guerra civil.

Carranza é deposto e assassinado em 1920 e o novo presidente passa a ser o general Álvaro Obregón, que consolida a revolução.

Villa abandona a luta em 1920 e é assassinado três anos depois. Ao mesmo tempo, vários revolucionários no governo procuram enriquecer, traindo a confiança que as amplas massas populares depositam em sua atuação.

Os partidários da nova Constituição, contudo, compreendem perfeitamente que não poderiam desconhecer a questão agrária que estava no fundo da luta revolucionária. Assim, os latifúndios foram limitados e a terra começou a ser entregue às comunidades camponesas.

Ao analisarmos este primeiro momento da Revolução Mexicana, algo nos salta aos olhos a todo o momento: a constante presença da reivindicação por uma reforma agrária e, como resposta, uma série de atitudes que se distanciavam da sua realização. Madero a propôs no Programa de São Luis de Potosí, mas não cumpriu. Zapata lutou o tempo todo por sua implantação, e isto é evidente em seus discursos e no Programa de Ayala, que também não alcançou o resultado esperado. A constituição de 1917 trata desta questão, mas, na prática, passou muito tempo até que resultasse em benefícios reais para a população camponesa.

Algo, porém, não pode deixar de ser considerado: grandes foram os esforços para que os camponeses pudessem recuperar as suas terras, bem como relevantes foram os acontecimentos e transformações nascidas do seio desta luta.

 Observa-se, nesta revolução, o reconhecimento do mexicano não apenas como indivíduo, mas também, e primordialmente, enquanto povo. Buscava-se um ideal de pertencimento comum, buscava-se o retorno a seus direitos. Estava presente a luta por um ideal de igualdade.

Educação...

 No dia 1º de julho de 1914, eram inaugurados, oficialmente, os curso de Agronomia e Veterinária. Todavia, por ocasião da realização da terceira sessão da Congregação, em 15/12/1913, ou seja, antes da abertura oficial do curso de Medicina Veterinária, um Farmacêutico formado pela Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia solicitava matrícula no curso de Veterinária, na condição de "portador de outro diploma do curso superior". A Congregação, acatando a solicitação do postulante, além de aceitar dispensa das matérias já cursadas indica um professor particular, para lhe transmitir os conhecimentos necessários para a obtenção do diploma antes dos (quatro) anos regimentares. Assim, no dia 13/11/1915, durante a 24ª sessão da Congregação, recebia o grau de Médico Veterinário o senhor DIONYSIO MEILLI, primeiro Médico Veterinário formado e diplomado no Brasil.

           

Conhecer aspectos de uma história do ensino de leitura na Escola Modelo,

em Cuiabá-MT, nas primeiras décadas do Século XX, implica também em conhecer

as condições que presidiram a institucionalização do modelo escolar implantado

nesse estado. Assim, o objetivo de contribuir para a constituição de uma história da

alfabetização em Mato Grosso, remete-nos à necessidade de uma recuperação,

ainda que breve, de aspectos organizacionais, pedagógicos e administrativos de

uma instituição que, fundada no início do século XX, em 1910, avança para

completar, brevemente, seu primeiro centenário – a Escola Modelo Barão de

Melgaço. Originalmente essa instituição recebeu a denominação de Grupo Escolar

do 1o. Districto e, atualmente, tem o nome de Escola Estadual de Ensino

Fundamental Barão de Melgaço.

Essa Escola Modelo, cuja criação fundamentou-se nos pressupostos

republicanos que almejavam uma escola de acordo com os padrões modernos

acompanhando os princípios filosóficos que circulavam em outros estados da

federação – especialmente no estado de São Paulo – tinha o objetivo de servir de

campo de aplicação para os estudantes do Curso Normal, como todas as escolas

desse tipo, que se tornaram comum no início da primeira republica brasileira.

O período aqui delimitado contempla dois marcos importantes para a

história da educação mato-grossense; em 1910, a reforma da instrução pública

levada a efeito por professores paulistas, instala e implementa os primeiros grupos

escolares – criados oficialmente pelo presidente Pedro Celestino em 1908, pela Lei

508/1908 – e, na década de 1930, na verdade um pouco antes, 1927, no caso

específico de Mato Grosso, tem-se uma nova reforma da educação também

empreendida por um professor paulista, agora sob os princípios escolanovistas que

começavam a se espalhar pelas escolas brasileiras.

As principais fontes documentais consultadas foram regulamentos da

instrução pública, relatórios de diretores da instrução pública e da Escola Normal e

Modelo, livros de almoxarifado de entrada e saída de material escolar e de atas das

escolas mato-grossenses. Os procedimentos adotados foram os que usualmente se

recorre nas pesquisas de abordagem histórica: levantamento, reunião, organização,

seleção e análise de fontes documentais pertinentes à temática.

Para discutir o assunto proposto dividirei este trabalho em três partes, sendo

que na primeira é a Introdução; na segunda são apresentados alguns dados

referentes à implantação das Escolas Normal e Modelo no bojo da reforma da

instrução pública de 1910, procurando evidenciar aspectos organizacionais,

administrativos e pedagógicos inseridos na função determinada para essa

instituição; e na terceira apresentarei elementos relacionados ao ensino da leitura e

da escrita previstos nos regulamentos da instrução pública e no Programa de Ensino

da Escola Modelo em 1924 e, finalmente, apresentarei algumas considerações

finais.

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